Olá a todos.
Exatamente às 8:30 da manhã do dia 16 de dezembro de 2013, a equipe de sistemas GEFCO iniciava um dos projetos mais desafiadores de sua história.
“Prover uma solução de sistemas em apenas uma semana.”
Não pense que isso seria feito apenas com força bruta, como dito em um certo jargão popular, comemos muito feijão para chegar ao ponto de aceitar essa empreitada. É um misto de metodologias modernas com tecnologia mais moderna ainda. Vamos então ver como que isso aconteceu.
Bom, uma das coisas que descobri quando entrei na GEFCO, foi que o carro novinho, antes de estar em nossas mãos com aquele cheirinho de novo, já foi dirigido por no mínimo sete pessoas. Pois é, brasileiro que é ciumento com carro não gosta desse tipo de informação, mas nem tudo é notícia triste, pois felizmente, existem pessoas que possuem a responsabilidade de prezar pelo veículo até que ele chegue na concessionária para você. Esse é um dos papeis do “Operador Logístico”.
O veículo zero quilômetro quando nasce na fábrica, tal como um berçario, recebe a atenção de várias pessoas antes de chegar finalmente a sua nova família. Essas pessoas fazem a sua guarda, a preparação e o transporte até a concessionária que você escolheu na hora da decisão. A compra.
Se durante esse percurso, algo imprevisto acontece com o seu carro, surge o Serviço de Atendimento de Avarias, o SAV.
Mas o que seriam essas avarias? Afinal, estamos falando de veículos 0km.
Pois é, nem sempre as coisas acontecem conforme planejamos e sim, é verdade, o veículo novo pode sofrer algum dano depois de nascer na fábrica. Um arranhão na pintura, um vidro trincado, um amassado, chuva de granizo e tantas outras coisas que nos impedem de entregar o veículo integro. Nesse momento a equipe SAV, através de todos os controles logísticos, faz o rastreamento e identifica em que ponto do processo ocorreu a falha que gerou esse dano. Logo a seguir, atribui responsabilidades e autoriza que o concessionário realize todos os reparos antes que o veículo chegue ao seu dono. Em situações maiores, como o tombamento de uma cegonha, ou algo de maior vulto, aciona-se diretamente a seguradora.
Mas vamos voltar ao projeto.
Primeiramente, como que está a situação hoje?
• Avarias das concessionarias registradas em papel (manualmente).
• Comunicação com a GEFCO é feita por FAX, e-mail e telefone.
• Gerenciamento dos processos em planilhas excel.
• Não tem integração com nenhum sistema da GEFCO (Microsiga, Sipco).
• Não temos relatórios de analises on-line acompanhamento dos processos.
• Avarias são registradas SIPCO somente dentro dos dominios da GEFCO.
Solução ideal:
• Concessionaria abra os processos SAV pela internet.
• Negociação e gerênciamento automático do status dos processos.
• Concessionaria acompanhe a evolução dos processos.
• Integração com sistemas Microsiga e SIPCO.
• Disponibilizar consultas para a Seguradora e Transportadoras.
• Consultas/relatórios e graficos para tomada de decisão.
Proposta de solução em uma semana:
• Concessionaria abra os processos SAV pela internet.
• Negociação e gerênciamento feito pelo SAV no próprio sistema.
• Concessionaria acompanhe a evolução dos processos pelo site.
• Disponibilizar consultas para a Seguradora.
• Consultas/relatórios e graficos para tomada de decisão.
Com os objetivos claros, seguimos então para o Porto do Rio de Janeiro para encontrar a equipe do SAV.
A equipe responsável pelo SAV, fica localizada dentro do Porto do Rio de janeiro. Área alfandegada e de controle rígido. Ao chegar fizemos o controle de acesso, recebemos nossos crachás e fomos diretamente para a sala da GEFCO, começando assim nosso dia de trabalho.
A primeira coisa a ser feita é uma reunião com os nossos clientes (SAV) para realizar um alinhamento do entendimento e das espectativas. Todos ficam cientes que receberão um MVP (Minimum Viable Product/Produto mínimo viável), ou seja, o produto entregue é funcional e já pode ser adotado. Das oito horas de trabalho no dia, consumimos seis horas debatendo todos os pontos do processo atual.
Durante a reunião, vamos identificando os grandes processos (histórias) e sua sequência. Isso é desenhado no quadro com o acompanhamento de todos. Já nesse ponto, identificamos aquilo que será o MVP de nosso trabalho, atendendo o mínimo requerido para cada etapa do processo. A partir da identificação dos macro-processo, passamos então a apontar no quadro, todas as construções necessárias para atingir aquele objetivo. Por exemplo, se sua família resolve que no sábado pretende ir ao cinema, como faríamos isso dentro da metodologia?
Simples. Teríamos uma história denominada:
“Nós como família gostaríamos de ir ao cinema no sábado”
Humm, bom, você como pai iria agora listas as atividades necessárias para que isso fosse realizado.
1 – Definir o filme
2 – Definir o local
3 – Definir o Horário
4 – Definir participantes
5 – Definir logística
6 – Reservar recursos
Cada um desses processos acima é composto por várias ações menores que quando escritas e dispostas para todos, possibilita que sejam realizadas prontamente. Por exemplo:
“Definir o filme”, consiste em:
A - Listar os filmes que estão em cartaz.
B – Apresentá-los a família
C – Realizar a enquete para escolha.
D – Publicar o resultado.
Com todos os ítens descritos, as pessoas que fazem parte desse projeto, podem assumir as tarefas que se julgarem capazes. Claro que uma tarefa pode depender de outra e isso não é um problema, basta seguir a ordem. O importante é que todas as etapas necessárias para a conclusão dessa empreitada, estão claras e disponíveis para a contribuição das pessoas envolvidas. Todos sabem o que deve ser feito e em que sequência.
Voltando ao projeto SAV.
Com os grandes processos identificados, passamos a escrever as ações para atendimento desses processos e separamos por dia de trabalho, criando assim os Sprints diários. Tivemos a sorte de identificar cinco grandes processos e dispor de cinco dias de trabalho. Assim, construímos um Sprint de trabalho para cada dia da semana.
Após a confirmação de que cada ítem realizado atenderá plenamente ao processo descrito, passamos a preencher os Post-it que estarão disponíveis para todas as pessoas que fazem parte do projeto.
Eles começam dentro da coluna “To do” , que significa “Para fazer”.
Iniciando o trabalho, os programadores pegam as fichas em que irão trabalhar e a colocam na coluna “Doing” que significa, “Fazendo”. Veja o quadro abaixo
Conforme o dia vai passando e as pessoas trabalhando, as etiquetas vão sendo movimentadas da coluna “Doing” para “Done”, que significa “Pronto”.
Ao final do dia e se as estimativas de tempo estiverem corretas, o quadro termina assim:
Coluna “To do / D1” em branco e todas as fichas na coluna “Done”. É hora de ir pra casa !
No dia Seguinte, antes de começar os trabalhos é feita a reunião chamada “Stand up Meeting”, ou seja. “Reunião em pé”.
Esse reunião possui as seguintes características:
A reunião começa precisamente no horário marcado.
Todos são bem-vindos, mas apenas "poucos" podem falar.
O encontro tem duração determinada (Time-Box) e dura 15 minutos.
A reunião deve acontecer no mesmo local e mesma hora todos os dias
Durante a reunião, cada membro da equipe responde a três perguntas:
1 - O que você tem feito desde ontem?
2 - O que você está planejando fazer hoje?
3 - Você tem algum problema impedindo você de realizar seu objetivo?
Embora pareça muita coisa, a prática mostra que essa reunião é bem rápida. Com o tempo todos aprendem o seu funcionamento. Uma outra vantagem é que todos os participantes do projeto ficam a par de tudo o que está acontecendo. A visibilidade é total.
Esse ciclo se repete para todos os dias planejados de maneira que ao final do Sprint, que no nosso caso é de uma semana, entregamos um software plenamente utilizável.
A seguir veremos o que foi planejado para cada dia e as respectivas telas do sistema que está sendo construído:
História Um, Dia Um
H1D1 - Criação da tela de login
H1D1 - Tela de login com dados da CCSS
H1D1 - Um usuário em "N" CCSS e vice-versa
H1D1 - Criação do cadastro de CCSS
H1D1 - Carga de CCSS
H2 - Cadastro de avaria
H2D2 - Criação da tela de cadastro de avarias
H2D2 - Inserção de anexos no cadstro de avarias
H2D2 - Preenchimento do Cadastro de avarias
H2D2 - Carga da tabela de preços com versionamento
H2D2 - Carga da tabela de avarias x peças
H3 - Aprovação de avaria
H3D3 - Regulação
H3D3 - Atribuir, Pagadores, Responsáveis e Pernadas
H3D3 - Carga de Pagadores
H3D3 - Carga de Responsáveis
H3D3 - Carga de Transportadoras
H3D3 - Carga de Pátios
H3D3 - Carga de Pernadas
H3D3 - Atribuição de Status manual
H3D3 - Acerto Manual da data da avaria com cálculo
H3D3 - Envio de avaria por email
H4 - Fluxo da seguradora
H4D4 - Criar cadastro da seguradora
H4D4 - Criar email para segurador com dados
H4D4 - Criar email para CCSS com dados e frase
H4D4 - Criar email genérico para "Responder a:"
H5 - Relatórios e KPI
H5D5 - Criar Relatório top 10 CCSS/QTD
H5D5 - Criar Relatório % redução / Valor por responsável
H5D5 - Criar relatório de avarias por transportadora
H5D5 - Criar relatório de avaria por transporte
Seguem as telas do sistema em ordem de processo.